Há uns bons anos atrás tive um blog onde depositava as peripécias do meu dia-a-dia, desgostos, amores, trabalho... enfim, a minha vida. Na realidade sempre recorri à escrita para me libertar de pensamentos que teimavam em não desaparecer ou simplesmente porque me sentia segura em partilhar momentos da minha vida que não me via a contar a mais ninguém, deixando-os de certa forma guardados para mim mas sem o peso de o sentir apenas dentro de mim. Fui dando algumas pausas nesta terapia mas, como sempre, acabo por voltar. Que tal começar pelo início? Tive uma infância complicada, uma dinâmica familiar pouco favorável a um crescimento saudável e esse foi o ponto de partida para algum desequilíbrio na construção da minha personalidade: crescer num ambiente opressor, violento e rígido fez-me desenvolver um transtorno de ansiedade (agorafobia) com ataques de pânico associado a depressão, algo que ao longo da minha vida se foi manifestando com maior intensidade e que atingiu o seu auge nos tempos de faculdade quando a exigência e o rigor voltaram a fazer parte do meu dia. O medo da mudança e de não ser aceite pelos outros, as opiniões alheias, a insegurança e a baixa auto-estima tornaram-se rotina. O episódio mais grave ocorreu quando perdi o amor da minha vida. É verdade, aos 21 anos encontrei aquela que, ainda hoje, julgo ser a minha metade. Passaram quase 4 anos desde o término dessa relação e ainda hoje sofro, choro e continuo a acreditar que será muito difícil para mim amar novamente. Vivo numa angústia contínua, sinto que a nossa história está inacabada. Nunca houve uma conversa, um verdadeiro ponto final embora eu o tenha assumido quando esse alguém refez a sua vida pouco tempo depois de destroçar a minha. Fui ao Psiquiatra, tive uma proposta de internamento que recusei e hoje sobrevivo no meio de antidepressivos e ansiolíticos que tão difíceis são de largar ao invés da facilidade com que ele o fez comigo. Obrigo-me a pensar nas coisas menos boas que entre nós se passaram afim de me tentar distanciar dele mas foi tudo tão bom que se torna até difícil encontrar algum. Foi embora... emigrou. Está feliz, encontrou um novo amor. Um dia espero também encontrar um, talvez ande por aí, escondido à minha espreita. Não vou procurá-lo porque se tiver que ser meu, a mim chegará.
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